S&A – Severien Andrade Advogados

Ano começa com déficit na balança comercial

Balança comercial tem déficit de US$ 486 mi na 1ª semana de janeiro Em relação à média diária de embarques de janeiro do ano passado, houve queda de 1,6%, enquanto ante dezembro o recuo foi de 38,8% Eduardo Rodrigues, da Agência Estado BRASÍLIA – A balança comercial brasileira começou 2011 com déficit de US$ 486 milhões na primeira semana de janeiro, de acordo com dados divulgados há pouco pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Entre os dias 1 e 9 do mês, as exportações somaram US$ 2,781 bilhões, com média diária de US$ 556,2 milhões, enquanto as importações chegaram a US$ 3,267 bilhões, com média de US$ 653,4 milhões. Em relação à média diária de embarques de janeiro do ano passado, houve queda de 1,6%, enquanto ante dezembro o recuo foi de 38,8%. Nas importações, o valor foi 13,8% superior à média registrada no mesmo mês de 2010 e 3,4% inferior ao apurado em dezembro passado.  

Segundo MP, manter conta no exterior é indício de crime de lavagem de dinheiro

Casal acusado de lavagem tenta trancar Ação Penal Fonte: CONJUR – Por Marina Ito O juiz convocado Aluisio Gonçalves de Castro Mendes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e Espírito Santo), suspendeu uma audiência de instrução e julgamento em um processo movido pelo Ministério Público Federal contra um empresário e sua mulher. Eles estão sendo processados por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O mérito do Habeas Corpus, em que a defesa pede o trancamento da Ação Penal, ainda será julgado. “De fato, não há a descrição na denúncia da origem ilícita do dinheiro mantido no exterior, tampouco a indicação do crime antecedente à lavagem de dinheiro, configurando, desta forma, a alegada ausência de justa causa quanto à imputação do artigo 1º da Lei 9.613/98”, escreveu o juiz na decisão. De acordo com o dispositivo citado pelo juiz, constitui crime de lavagem de dinheiro “ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crime”. A lei cita alguns crimes, entre eles o tráfico de drogas, os praticados por organização criminosa e aqueles contra o sistema financeiro nacional. “Apesar de algumas diferenças normativas na caracterização do crime de lavagem de dinheiro entre a norma repressora pátria e a de outros países, nota-se que em todas as hipóteses legislativas de combate a esta atividade ilícita um conceito permanece absoluto: o dinheiro a ser ‘lavado’ deve, como condição sine qua non, ser proveniente de ‘outro crime autônomo’, o chamado crime antecedente”, diz a defesa, assinada pelos advogados Flávio Lerner, Márcio Feijó e Humberto Freitas. Ocorre que, na denúncia apresentada contra o casal, o Ministério Público Federal afirma que os dois tiveram contas no exterior, fato que o casal não nega, e a Receita Federal aponta que há créditos ainda não constituídos, já que há processo administrativo em andamento, no valor de quase R$ 800 mil. “Apesar da clareza do texto legal e da remansosa lição doutrinária, os pacientes estão sendo submetidos ao constrangimento de uma demanda criminal pela prática do crime de lavagem de dinheiro, pois figuraram no passado como titulares de uma conta corrente mantida no exterior, sem que tivessem comunicado tal fato à autoridade competente”, diz a defesa, depois de citar diversos autores sobre a necessidade de crime antecedente para o da lavagem de dinheiro, já que a lavagem se dá com dinheiro de origem ilícita. “Na distorcida visão acusatória, chancelada pela autoridade coatora ao receber integralmente a denúncia, para o cometimento dos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro bastaria, apenas, a existência de uma conta bancária clandestina mantida no exterior”, diz a defesa no HC. O caso dos empresários, donos de uma reconhecida empresa de cosméticos, remonta, segundo a própria defesa, à chamada Operação Farol da Colina. “Durante os anos de 1997 e 1998, a Delegacia de Polícia Federal em Foz de Iguaçu promoveu uma gigantesca investigação policial visando à identificação de um esquema de evasão de divisas praticado através de transferências bancárias internacionais destinadas a contas correntes mantidas por pessoas físicas e jurídicas” em instituições financeiras internacionais. Através de cooperação jurídica internacional, o país obteve acesso a dados bancários de inúmeras contas correntes que brasileiros mantinham nessas instituições. O juízo responsável pela investigação à época afirmou ser necessário identificar os responsáveis pelas contas no exterior, atentando para o fato de que as transações financeiras podiam ser lícitas. Foi assim, disse a defesa, que a Polícia Federal chegou à conta mantida pelo casal. O Ministério Público Federal no Rio determinou a instauração de inquérito policial para apurar os verdadeiros donos da conta corrente. “Não só o nome dos titulares estava correto, mas também a numeração de seus documentos, acompanhadas de cópias de seus originais, endereço e telefones, atividades profissionais, e o nome dos eventuais beneficiários”, disse a defesa no HC.

Barreiras europeias à importação do etanol brasileiro cairão em breve

Europeus examinam possibilidade de eliminar tarifa de importação para o etanol brasileiro Danilo Macedo e Renata Giraldi Repórteres da Agência Brasil Brasília – O fim da tarifa de importação do etanol brasileiro por países europeus pode estar próximo. O tema está na pauta da reunião entre o Mercosul e a União Europeia (UE), marcada para março em Bruxelas, na Bélgica, que se destina a discutir a viabilidade de um acordo de livre comércio. O representante da UE no Brasil, o embaixador português João José Soares Pacheco, disse à Agência Brasil que até 2020 os combustíveis utilizados em automóveis no bloco europeu devem ter pelo menos 10% de fontes renováveis, como o etanol e o biodiesel. O embaixador disse que, com esta a medida, o bloco cumpre uma das determinações para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Prestes a deixar o país para assumir a função de diretor-geral adjunto da Comissão Europeia, ele reconheceu que a UE precisará importar boa parte deles. “Não conseguimos competir com o etanol produzido a partir de cana-de-açúcar no Brasil. Nem nós nem os norte-americanos, isso é muito claro. Portanto, vamos precisar de importar”, afirmou. No Brasil, onde a legislação para “combustíveis verdes” é mais avançada, a mistura obrigatória de etanol na gasolina é de 25%. O embaixador disse ainda que qualquer país da África, onde o Brasil desenvolve programas de implementação e expansão do plantio de cana-de-açúcar, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), já pode exportar para a UE sem pagar nenhuma tarifa. “O Brasil ainda tem que pagar, mas esse é um tema que está na pauta de negociação da União Europeia com o Mercosul”, afirmou.

Mais uma vez, na minha opinião, a culpa é do Custo Brasil

Importações saltam 62% na Zona Franca 10 de janeiro de 2011 | 0h 00 Marcelo Rehder – O Estado de S.Paulo Principal polo de eletroeletrônicos do País, a Zona Franca de Manaus importou o equivalente a US$ 10,2 bilhões, de janeiro a novembro de 2010, um salto de 62,17% (sem contar os efeitos da valorização do real) em relação aos US$ 6,4 bilhões do mesmo período do ano anterior. Em 2008, as importações somaram US$ 9,4 bilhões em onze meses. “A indústria de componentes eletroeletrônicos é a que mais tem sofrido”, diz o presidente do Sindicato de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas, Wilson Perico. O real valorizado encarece as exportações ao mesmo tempo em que torna as importações mais baratas. Com os custos da produção pressionados para cima pela carga tributária, logística, energia e mão de obra, entre outros fatores, as empresas aceleraram a importação de componentes na tentativa de manter a parcela de mercado. “Nos últimos três anos, cerca de dez empresas deixaram o polo, mas continuaram abastecendo o mercado com produtos importados de outras filiais, principalmente da Ásia”, conta o presidente do Sinaees. Entre outros, ele cita a fabricante de condutores elétricos Gatesby, a Panasonic Componentes e a Molex. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que apenas dez empresas instaladas em Manaus responderam por 55% das importações, a maioria de eletroeletrônicos. A liderança é da Samsung (US$ 1,357 bilhão), seguida pela LG ( US$ 908,9 milhões). A China continua sendo o principal fornecedor de produtos, seguida de Coreia do Sul e Japão. Os próprios fabricantes de bens de consumo diminuem a produção e passam a importar toda a linha, ou parte dela, para não perder mercado. “Alguns produtos que já foram carro chefe de muitas empresas hoje praticamente desapareceram, como os aparelhos de DVD e de áudio, que passaram a ser importados”, cita Perico. “O risco de isso vir a acontecer com outros produtos é grande.”

Custo Brasil faz que as indústrias importem mais

Pressionadas, indústrias passam a importar mais Vulcabras deve ter fábrica na Índia para vender para o Brasil; Philips e Novelis fecham plantas 10 de janeiro de 2011 | 0h 00 Marcelo Rehder – O Estado de S.Paulo O real valorizado e o elevado custo de produção no Brasil têm levado as empresas a tomarem decisões radicais para tentar garantir parcelas de mercado frente ao aumento da competição dos importados. Algumas passam a transferir parte da produção para outros países ou até fechar unidades no Brasil. Sem condições de igualdade para disputar mercado no exterior, a Vulcabras Azaleia decidiu montar uma fábrica de calçados no Oriente, possivelmente na Índia, de onde pretende exportar produtos para países da América Latina, como México, Colômbia, Chile e Peru, incluindo até mesmo o Brasil. Para isso, a empresa vai usar o dinheiro que arrecadar com uma oferta pública primária de ações, cujo montante não foi revelado. Os recursos também poderão ser usados em aquisições estratégicas, informa a empresa na minuta do prospecto preliminar encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Vulcabras já possui unidade na Argentina, destinada a abastecer o mercado do país vizinho. No Brasil, tem fábricas no Ceará, na Bahia, no Rio Grande do Sul e em Sergipe. No mês passado, a Philips fechou a fábrica de lâmpadas automotivas que mantinha há 43 anos no Recife e passou a abastecer o mercado de produtos importados de suas unidades na Ásia e Europa. Em nota, a empresa alega que o alto custo de produção no País tira competitividade do produto. A decisão custou a demissão de cerca de 500 trabalhadores, entre funcionários diretos e terceirizados. “Esses empregos foram para a China”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Alberto Alves. Maior fabricante mundial de laminados de alumínio, a americana Novelis fechou sua fábrica em Aratu, região metropolitana de Salvador. Com a medida, 500 pessoas perderam o emprego às vésperas do Natal. A fabrica tinha capacidade para produzir 60 mil toneladas de alumínio primário por ano. O motivo alegado pela empresa foi o custo de produção muito acima dos concorrentes. Segundo a Novelis, os responsáveis são o câmbio valorizado e o alto custo da energia elétrica, que representa 35% do custo do produto acabado e que subiu 51% em seis meses. Primeira indústria de alumínio a se instalar no Nordeste, em 1972, vinha operando há dois anos com prejuízo.

Importação como vilã.

Segue, abaixo, matéria veiculada no dia 10.01.2011 no Jornal O Estado de São Paulo, tratando a importação como vilã. Porém, ninguém faz expressa menção dos ganhos ocasionados pelas importações, principalmente de produtos que a indústria nacional não consegue produzir e suprir a demanda interna. Enfim, acho que tratar a importação como a fonte dos problemas da indústria nacional não é correto, pois, com ela, principalmente, são gerados inúmeros empregos indiretos, em especial no atacado e no varejo. Abraços e boa semana, Luciano Bushatsky Andrade de Alencar. Indústria perde R$ 17,3 bi e deixa de criar 46 mil vagas com importações Participação da indústria de transformação no PIB caiu de 27% para 16% nos últimos 20 anos; para setor, quadro é de difícil reversão 09 de janeiro de 2011 | 20h 50 Marcelo Rehder, de O Estado de S. Paulo SÃO PAULO – Pressionada pelas importações, a indústria brasileira de transformação perdeu R$ 17,3 bilhões de produção e deixou de gerar 46 mil postos de trabalho em apenas nove meses de 2010. A informação é de um estudo inédito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que mediu o impacto que o processo de perda relativa do setor na formação do Produto Interno Bruto (PIB) apresenta na economia brasileira. Em dois anos, o chamado coeficiente de importação, que mede o porcentual da demanda interna suprido por produtos vindos do exterior, subiu quase dois pontos. Passou de 19,6%, no acumulado de janeiro a setembro de 2008 (pré-crise), para 21,2%, no mesmo período de 2010. Se o setor não tivesse perdido participação para os produtos estrangeiros, as importações do setor cairiam de R$ 232,4 bilhões para R$ 215,1 bilhões, segundo a Fiesp. Ao mesmo tempo, a produção doméstica subiria de R$ 1,055 trilhão para R$ 1,072 trilhão. Esse crescimento da produção, de 1,6%, geraria aumento de 0,58% do emprego industrial. “O País não pode se dar ao luxo de abrir mão de sua indústria na sua estratégia de desenvolvimento”, afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. No fim dos anos 1980, a indústria de transformação representava 27% do PIB brasileiro. Hoje, baixou para 16%, calcula a Fiesp com base na nova metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia Estatísticas (IBGE), adotada a partir de 2007. “É uma equação difícil de ser resolvida e não tem solução de curto prazo”, diz Paulo Francini, diretor do departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp. “Além do problema do cambio valorizado, há a questão do custo Brasil, que acentua a perda de competitividade da nossa indústria.” Não é de hoje que a indústria vem perdendo espaço. “O País está se desindustrializando desde 1992”, diz o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira. Para ele, o Brasil perdeu a possibilidade de “neutralizar a tendência estrutural à sobreposição cíclica da taxa de câmbio” quando fez a abertura financeira, no quadro de acordo com o FMI. “Em consequência, a moeda nacional se apreciou, as oportunidades de investimentos lucrativos voltados para a exportação diminuíram, a poupança caiu, o mercado interno foi inundado por bens importados e muitas empresas nacionais deixaram de crescer ou mesmo quebraram.”

Isenção de IR para remessas de até R$ 20 mil ao exterior

Receita isenta do IR remessas de até R$ 20 mil para viagens A Receita Federal vai isentar do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) remessas de até R$ 20 mil ao exterior para despesas com hotéis, passagens aéreas, estudos, competições esportivas e tratamento de saúde de residentes no Brasil, entre outros gastos com viagens. A resolução foi publicada na quinta-feira no Diário Oficial da União. De acordo com a instrução normativa 1.119, o teto é válido para o domiciliado no Brasil e seus dependentes que realizarem a viagem. Pessoas jurídicas residentes no País também terão o mesmo limite, para cobrir gastos com empregados em viagens de negócios.Já as agências de viagem terão limite de remessas ao exterior de até R$ 10 mil por passageiro, para até mil passageiros por mês.” A isenção vai possibilitar, ao residente no Brasil, a diminuição das despesas com viagens ao exterior compradas em agências de viagens sediadas no Brasil, tornando os pacotes turísticos vendidos no País, mais competitivos em relação aos pacotes vendidos no exterior por agências de turismo estrangeiras”, afirmou a Receita em nota à imprensa. Fonte: Portal Terra

Fábricas reclamam, mas são os maiores responsáveis pelo crescimento das importações de veículos

Montadoras são as que mais importam carros, aponta Abeiva 07/01/2011 14:47 SÃO PAULO – Os importadores de carros procuraram minimizar hoje a importância do setor no déficit comercial apresentado pela cadeia automotiva nos últimos dois anos. Durante a apresentação dos resultados de 2010, o presidente da Abeiva, José Luiz Gandini, usou números para mostrar que, na verdade, as montadoras com fábricas instaladas no Brasil são as grandes responsáveis pela invasão de carros importados. Conforme a entidade, as marcas associadas à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) responderam por 83,89% de todas as importações realizadas no ano passado. O restante, segundo a Abeiva, foi efetuado pelos importadores independentes. “As próprias montadoras estão ampliando as importações”, disse Gandini ao rejeitar a idéia de que os importadores estão provocando o saldo negativo na balança comercial automobilística. Ontem, a Anfavea informou que a cadeia, que inclui o setor de autopeças, marcou déficit comercial de US$ 5,7 bilhões de janeiro a novembro de 2010, acima do saldo negativo do ano anterior, de US$ 3,7 bilhões. Só no ano passado, as importações superaram as exportações de veículos montados em 158 mil unidades, disse a associação das montadoras. Considerando-se os volumes que entraram em estoques – que ainda não chegaram ao consumidor final -, as importações pelos importadores independentes somaram 118,87 mil unidades em 2010, volume que ficou muito perto da marca histórica registrada em 1995, quando 119,54 mil carros chegaram ao país por meio das associadas da Abeiva. Para a entidade, os negócios devem seguir em alta neste ano, mas as incertezas em relação ao câmbio – com a possibilidade de novas ações do governo para segurar o real – dificultam as estimativas. “Esse ano é muito questionável porque não sabemos o que ainda virá em medidas para o câmbio”, comentou Gandini. A aposta da Abeiva é que a taxa de câmbio fique em R$ 1,90 até dezembro, ante a cotação atual de R$ 1,68. Com base nessa premissa, espera-se que os emplacamentos de carros importados fechem este ano em 165 mil unidades, marcando um avanço de aproximadamente 57%. No entanto, Gandini lembrou que a venda de carros não está apenas ligada ao câmbio, dado que o comportamento do crédito também tem influência determinante nos negócios, sobretudo em marcas mais populares. “Não é só o dólar vir para R$ 1,60 e as vendas dobram”, afirmou. Junto com o crescimento do mercado, os importadores buscaram no ano passado acelerar o crescimento de suas redes de distribuição. O setor fechou 2010 com 560 revendas, 190 a mais do que em 2009. (Eduardo Laguna | Valor)

MP pode contestar judicialmente benefício tributário lesivo ao erário

MP pode propor ação civil contra incentivo fiscal O Ministério Público Federal pode propor ação contra atos administrativos que permitam a um banco estatal financiar tributo devido de empresa. A decisão é da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu a legitimidade do órgão para pedir a anulação de uma portaria da Secretaria de Fazenda e Planejamento do Distrito Federal. Isso porque, segundo o órgão, o ato administrativo é lesivo ao patrimônio público. A turma analisou recursos do governo do Distrito Federal e da empresa Integra Administração Comércio e Indústria, em que alegavam que o MP não possui legitimidade para propor ação civil em defesa de direitos de contribuintes. Em seu voto, o relator do caso, ministro Luiz Fux, aplicou a Súmula 329 do STJ, que diz que “o Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa do patrimônio público”. Para o ministro, os benefícios fiscais contestados envolvem “verdadeira renúncia fiscal por parte do Distrito Federal de 70% do valor devido a título de ICMS, evidenciando dano ao patrimônio público”. Fux também se baseou em julgamento recente do Supremo Tribunal Federal, que decidiu que o Termo de Acordo de Regime Especial firmado entre o governo do Distrito Federal e a empresa Brink Mobil Equipamentos Educacionais, prevendo um regime especial de recolhimento do ICMS devido pela empresa, não diz respeito apenas a interesses individuais, mas alcança interesses metaindividuais, pois o ajuste pode, em tese, ser lesivo ao patrimônio público. Por fim, Fux não admitiu o Recurso Especial da empresa, pois a apelação foi apresentada antes da publicação do acórdão do Tribunal de Justiça do DF. O caso O MPF entrou com Ação Civil Pública contra a Integra Administração Comércio e Indústria, o Distrito Federal e o Banco de Brasília, pedindo a nulidade da Portaria 507/2002, da Secretaria de Fazenda e Planejamento do DF. Esse ato administrativo permitiu que o BRB concedesse empréstimo à empresa no valor de 70% do ICMS devido pela Integra ao DF. A importância de R$ 34,3 milhões seria utilizada para pagar o imposto. No juízo de primeiro grau, o processo foi extinto sem resolução de mérito. O juiz considerou ilegítima a atuação do MPF, em razão da demanda “versar sobre matéria tributária e inexistir direito difuso a ser tutelado”. A decisão considerou ilegítima, também, a presença do BRB para responder a ação. O MPF apelou e o TJ-DF reconheceu a legitimidade do órgão para propor a ação e a legitimidade do BRB para respondê-la. Com isso, a Integra e o governo do DF recorreram ao STJ. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ. REsp 903.189

Exportadores de suco de laranja animados com as últimas notícias americanas

Cotação recorde do suco de laranja anima indústria e produtor nacional Problemas nos EUA levam produto à cotação de US$ 2,6 mil a tonelada, o maior preço dos últimos três anos e meio 06 de janeiro de 2011 | 22h 30 Paula Pacheco, de O Estado de S. Paulo SÃO PAULO – Os produtores brasileiros de laranja começam o ano com a calculadora nas mãos para tentar saber quanto poderão faturar a mais com a alta do preço do suco de laranja na Bolsa de Nova York. O mau tempo na Flórida, principal produtora de laranja dos Estados Unidos, tem pressionado para cima a cotação do suco no mercado futuro. Nos últimos 30 dias, a cotação subiu de US$ 2.270 a tonelada, em média, para a casa dos US$ 2.600. Ontem, a commodity fechou a US$ 2.668, o valor mais alto dos últimos três anos e meio. Com a possibilidade da quebra de safra nos Estados Unidos, cresce a probabilidade de o cenário positivo de 2010 – tanto para produtores quanto para a indústria de suco – se repetir neste ano. A previsão da Citrus-BR, que representa as fabricantes de suco Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Louis Dreyfuss, é que as exportações, que no ano passado foram de US$ 1,775 bilhão, cheguem a US$ 2 bilhões em 2011. Os produtores esperam que neste ano ainda consigam se beneficiar da remuneração mais alta, a exemplo do ano passado. O preço pago ao produtor pela caixa de laranja subiu de R$ 6 para R$ 15 de 2009 para 2010. A alta é reflexo da queda de produção nos últimos anos, fruto de problemas com doenças (principalmente o greening, que obriga o produtor a cortar o pé doente) e também do fato de que o preço não vinha compensando o aumento de área plantada. Com menos laranja disponível, a indústria pagou mais para garantir os estoques e não perder espaço para outros produtores internacionais e, mais ainda, para outras frutas, como a maça, que têm avançado sobre o domínio da laranja. Os especialistas acreditam que, na pior das hipóteses, a cotação do fim do ano passado deve se manter nesta safra. As negociações entre a indústria e os produtores começaram no mês passado, conta Paulo Biasioli, representante dos citricultores de Limeira (SP). “O preço para esta safra deverá ser próximo ao de 2010, mas sempre há uma choradeira da indústria”, diz. Biasioli avalia que o recorde de preço do suco deverá ter um peso importante na composição dos valores pagos aos produtores. Mas não é o único fator. “É preciso levar em consideração o nível dos estoques da indústria, a evolução do consumo internacional e a produção americana. Se houver quebra de safra por lá, aumenta a demanda por suco brasileiro”, detalha. Presidente da Citrus-BR, Christian Lohbauer é cauteloso: “Esses são preços especulados no mercado futuro. Uma tonelada vendida a US$ 2,6 mil é um sonho de uma noite de verão. Mas quem sabe em seis meses os preços estejam perto de US$ 2,5 mil a tonelada, o que seria muito bom e ao mesmo tempo raro neste mercado”, diz. Queixa Mesmo com as cotações recordes, para Carlos Viacava, diretor da Cutrale, o cenário para esta safra ainda não está tão claro. “Por enquanto, há muita especulação. Vai depender de como o tempo vai se comportar na Flórida e se a safra será boa aqui”, diz. Ele reclama também do câmbio, desfavorável às exportações, e do aumento do preço da caixa de laranja. Metade da produção mundial de suco de laranja sai dos pomares brasileiros, o que dá ao País 85% de participação no mercado internacional – os EUA, outro grande produtor, consomem praticamente tudo o que produzem. Se indústria e produtores festejam a alta de preço, o mesmo não dizem o consumidor final e aqueles que dependem do suco da indústria. É o caso da Yoki, que tem uma linha de sucos à base de soja e frutas, a Mais Vita. Diz Gabriel Cherubini, vice-presidente da empresa. “Como esse é um segmento muito atrelado à nova classe média, preferimos sacrificar as margens de lucro para não ter de repassar os aumentos de preço da laranja para o preço final”, conta o executivo.